sábado, 20 de maio de 2017

No site "Esquina da Cultura", por Matheus Mans, tb repórter do "Estadão"

(link ao final do post)

Nicolás Irurzun explora o humor na literatura nacional


Quando falamos de humor na literatura brasileira, é possível contar nos dedos das mãos os casos de sucesso. Em uma rápida reflexão, nós lembramos de Veríssimo, Millôr Fernandes, Mario Prata, Jô Soares e... quem mais? Até outro dia, teria dificuldade de lembrar outro nome da literatura que se dedica neste gênero literário. Na última semana, porém, conheci um novo escritor que está se dedicando ao humor no Brasil: Nicolás Irurzun.

Conheci Irurzun quando seu livro chegou às minhas mãos, na última semana. Era seu segundo e mais novo lançamento, Dândis de Selma. Já chamou a atenção logo de cara: a capa minimalista indica uma leitura mais leve, enquanto a sinopse agarra a atenção do leitor: "Selma nunca gostou de futebol e, na faculdade, tinha desprezo por Norberto. A vida dá voltas e, agora, ela se tornou treinadora do pior time da região, presidido justamente pelo ex-colega. Nessa trajetória, cruza com Pitanga, adolescente envolvido com o crime e que pretende um lugar na equipe."

A história, porém, é ainda melhor do que indica a sinopse. Com um humor muito sutil, e que não passa dos limites do aceitável, Irurzun — que é argentino, mas radicado no Brasil — cria uma história real e com pequenas e interessantes observações do cotidiano por meio da espirituosa Selma, que se torna treinadora de um time de várzea quase sem querer. Não é um humor construído em cima de piadas e de referências ruins, mas em cima da observação dos fatos do dia a dia, do cotidiano.

"O humor sai naturalmente em meus livros", conta o escritor ao Esquina, quando é questionado sobre a inspiração para o humor em seu livro. "Até mesmo quando eu tento escrever algo mais sério, escapa uma tirada irônica ou bate a vontade de deixar a situação com aspecto insensato."

Além disso, todas situações criadas por Irurzun para a figura de Selma são cabíveis quando pensamos na dinâmica da cidade pequena e afastada no interior do Brasil -- tipo de local, aliás, que se passa Dândis de Selma e, também, o primeiro livro do autor, Ardósia. "Mais do que pequenas, eu queria cidades fictícias". conta o escritor sobre a escolha da ambientação. "Acabaram saindo interioranas e pequenas."

O grande ponto alto do livro, porém, não está no humor, nem na ambientação: está no curioso entrelaçar de histórias entre Selma e Pitanga. Ambos tentam escapar do passado e construir um novo futuro, em cima do futebol. A diferença entre eles, então, está nos objetivos de vida de cada um e os meios que eles foram criados e que o conduziram até o esporte. São ótimos personagens, bem construídos e com ótimo desenvolvimento.

Nicolás Irurzun é um autor para se conhecer. Tem uma leitura leve e, até mesmo, despretensiosa. No entanto, consegue avançar em suas discussões e tópicos levantados para a narrativa. E, segundo ele, um novo livro está à caminho. “O terceiro livro já está engatilhado”, diz o autor. “Ao contrário dos outros, será ambientado em São Paulo e contará as dificuldades de se reconquistar um antigo amor. Claro, sempre de maneira bem humorada.”

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